Testemunho de J. V.

A história da minha vida

Nasci em Angola e em 1975 vim para Lisboa. Fui estudar para o Liceu de Camões por pouco tempo, pois os meus pais decidiram voltar às suas origens em Santa Comba Dão, Viseu, e fui continuar a estudar no liceu do Carregal do Sal. O meu pai decidiu montar uma fábrica de artefactos de betão e uma extração de areias nos Rios Mondego e Dão. Abandonei os estudos e fui trabalhar com ele. Casei-me com 18 anos e fico em residir na Terra. Entretanto, o meu sogro, por motivo de negócios, teve de se ausentar de Portugal e foi para a Venezuela. O meu pai fica a gerir os negócios que ele deixou pendentes em Portugal. Mas passado algum tempo descobriu-se que o meu pai andava a desviar dinheiros e outros bens do meu sogro. Com todas estas complicações zangamo-nos todos e deixei de trabalhar com o meu Pai. Decidi vir para Lisboa com a minha esposa no início de 1981. Comecei por montar um negócio próprio, para o qual fiz um empréstimo ao banco e compro um camião. Comecei a trabalhar fazendo desaterros e diversos serviços. Mais tarde vendo o camião e começo a trabalhar numa firma de construção e obras públicas como encarregado.

Em 1989 nasceu o meu filho e em 1990 o meu pai teve um acidente e faleceu. Chegaram as partilhas e as complicações. Fiz uma proposta em que não recebia nada da herança, mas também não pagava nada, mas para se resolver a situação tivemos de fazer um inventário de maiores. Cada um de nós fazia as suas licitações e comprava os bens, mas a minha mãe só a mim é que exigiu estornas. E assim corto relações coma minha mãe e com os meus dois irmãos.

Mas a minha mãe vem pedir-me desculpas e pede-me para a ajudar porque o meu irmão mais velho lhe tinha levantado o dinheiro da conta e posto a casa e vários bens em nome dele. Ajudei a minha mãe a recuperar a casa.

Entretanto, em 1995, tive um AVC e passado 6 meses tive nova ameaça de AVC, estive de baixa mais ou menos 2 anos e o médico recomendou-me uma vida mais calma. Então resolvi montar outro negócio, mas desta vez uma Papelaria/Livraria com a ajuda do meu filho que, devido ao meu AVC, tinha parado de estudar.

Passado 2 anos abrimos a 2ª Papelaria e, entretanto, o meu filho casa-se e decide passar o negócio para nome dele, passando assim eu a ser empregado dele.

Em 2017 nasce o meu neto, que tem sido maravilhoso pois o avô tem sido muito especial para ele. Entretanto, em 2018, morreu a minha mãe e o meu sogro e o meu irmão mais velho, novamente, traz problemas com as partilhas e fomos para tribunal. Foram só dores de cabeça e ficou tudo por se resolver. Como se não chegasse, em 2018 teve um acidente de viação e ficou com problemas de mobilidade e passou a viver connosco, pois o meu cunhado não quis saber da mãe.

No que diz respeito ao problema com o jogo, há vinte e tal anos que lido com o jogo nas papelarias e nunca fui jogador compulsivo. Jogava de vez em quando no Euromilhões e lotarias e nada mais. Até ao dia que joguei numa raspadinha na qual tive um prémio de 150€ por mês durante um ano, pois foi como carregar no gatilho, a partir daí nunca mais parei. O meu filho queixava-se que o jogo não estava a pagar-se e eu continuava sempre a jogar. No dia 30 de março de 2022, dia do aniversário dele, através das câmaras, descobriu que eu jogava compulsivamente, maços inteiros de raspadinhas. Discutimos e ele foi muito duro para comigo e disse-me que estava a destruir o futuro do meu neto e começou a controlar-me, mas eu não conseguia parar de jogar. Então comecei a levantar dinheiro da minha conta pessoal para continuar a jogar. A minha esposa só teve conhecimento nos fins de junho. Decidiu que eu tinha de me tratar. No dia 11 de julho tive a minha primeira consulta de psiquiatria com a Dra. Joana e passei a ter também consultas com o Dr. Pedro Hubert. Gastei 130 mil euros em raspadinhas. Hoje pago ao meu filho um empréstimo que ele teve de fazer para poder sobreviver.

Mesmo assim tive sempre o apoio do meu filho, da minha nora e da minha mulher que sempre me apoiaram no processo de recuperação. E também tenho muito a agradecer a este grupo, assistindo às reuniões consegui chegar a esta minha etapa sem jogar.

A minha última aposta foi a 25 de julho de 2022. No que diz respeito às partilhas, o meu irmão mais velho, levantou um processo-crime ao meu mais novo por este ter levantado o dinheiro da conta da minha mãe da qual ele fazia parte, eu próprio é que lhe disse para levantar o dinheiro, eu próprio fui com ele ao banco fazer tal levantamento pois a minha mãe em vida sempre disse que o dinheiro era para ele, pois era aquele que mais precisava.

Para acabar com estas histórias todas disse ao meu advogado para fazer um acerto de contas e chegar-se a uma conclusão como o meu irmão mais novo não tinha posses para dar retorno pois é uma pessoa que vive com um pacemaker e vive de uma fraca reforma. Então eu paguei todas as contas dos advogados e tornar ao meu irmão velho ficando com todos os bens da herança ficando-me tudo isto à volta dos 50 mil euros, mas julgo ter resolvido esta questão de vez.

Graças a este grupo e ao poder superior e seguindo os 12 passos sou uma pessoa mais serena.